sábado, 22 de novembro de 2008

Não faz sentido pra você? Pra mim faz.

Engraçada essa vida, né? Durante muito tempo eu quis ter um blog, mas não tinha nada sobre o que escrever. De repente eu crio um blog e a vida se torna tão interessante, tão intensa, tão completa que não sobra tempo pra escrever nele.
Nas últimas semanas parece que passou um vento pela minha vida, e o que estava parado e entediante de repente ficou cheio de graça, de novidade, de uma energia muito bem-vinda. Eu, que tinha uma rotina bem ajeitadinha, parque-casa-trabalho-casa, de repente me vi chegando em casa nos horários mais impróprios, fazendo compras de supermercado de madrugada, trabalhando até tarde, desmarcando reuniões porque não consegui levantar a tempo no dia seguinte. E tudo isso é ótimo, está me fazendo sentir viva de novo. Estou num daqueles momentos em que você quer que o tempo pare, que nada mude.
Só que quando você não está disposto a mudar, a vida dá um jeito de mudar por você. As coisas que você fez lá atrás, as decisões do passado, têm consequências das quais você não pode fugir. E mesmo que possa, que você volte atrás, desfaça o que fez, desista do que queria e se agarre ao presente, ao que te faz feliz agora, é só uma questão de tempo pra que ele também mude e você se veja sem nem uma coisa, nem outra.
É nisso que eu penso todos os dias, é disso que eu tento me convencer. Como diz a sábia Madonna, "I always tell myself it's all just a test". Se eu sei o que quero da vida, como eu acho que sei, a decisão está tomada, e o melhor que eu faço é aproveitar ao máximo o que eu tenho enquanto eu posso, porque daqui a pouco sou eu que mudo com a vida, antes que ela mude por mim, sem meu consentimento, sem meu controle.
Até lá, ainda tem muita coisa pra acontecer.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

25/10

Hoje é aniversário de morte do meu avô. Eu nunca fui muito próxima dele nem tenho grandes histórias pra contar sobre como ele fez minha infância mais feliz, mais divertida. Na verdade, a maior lembrança que eu tenho é de um homem severo, lendo jornal em uma cadeira que era só dele e que quando a gente sentava levava bronca, ou colocando a gente de castigo por alguma besteira de criança. Mesmo assim, eu nunca esqueço dessa data.
Foi a primeira vez que alguém próximo de mim morreu, e eu não sabia como devia reagir. Fui pra escola e os coleguinhas e as professoras, que já sabiam – a cidade é pequena e meu avô era um médico conhecido, o primeiro pediatra do lugar – ficavam cheios de dedos, sem saber como me tratar, sem saber se eu já sabia, me tratando como se eu fosse uma bomba-relógio, que a qualquer gesto ou palavra errada podia começar uma crise de choro. Só que eu não chorei.
Não chorei no dia, não chorei depois, não chorei até hoje. Nem por ele, nem por nenhuma das outras pessoas que passaram pela minha vida e já morreram.
Não, eu não sou forte ou insensível. Pelo contrário: sou bem chorona. Choro por coisas que não tem nenhum valor, nenhuma importância, nenhum impacto real na minha vida ou no meu futuro. Aliás, choro sem nem saber por quê. Só não choro pelas coisas que realmente importam. Vai entender, né?

Texto escrito, mas não postado, no dia 25/10.

domingo, 19 de outubro de 2008

Quer me irritar?

Seja meu chefe.

Seja meu cliente.

Seja meu pai, minha mãe ou meu irmão (de vez em quando).

Seja algum membro distante da minha família. Se eles fossem legais, pode ter certeza que não seriam mantidos distantes.

Me peça pra lavar louça. Esse é o tipo de coisa que eu faço quando preciso ou quando estou inspirada. Não tente me forçar a fazer fora dessas duas ocasiões.

Me pergunte por que eu estou nervosa/brava/irritada/mal humorada. Ou me pergunte se eu estou na TPM.

Fale comigo antes das 7 da manhã. Nessa hora todos os meus esforços estão concentrados em me manter acordada. Não force meu cérebro a articular frases coerentes.

Olhe meu prato e faça cara de nojo pra minha comida.

Faça sexo barulhento no quarto ao lado. Ou no apartamento de cima.

Tenha uma rede wireless ao alcance do meu computador, com um nível de sinal excelente, protegida por senha.

Imponha sua presença ao meu redor quando eu quero ficar sozinha.

Quando eu discordar de alguma coisa que você disse, responda “Espere até você ter a minha idade, aí a gente conversa”. Isso não é um argumento. E eu não vou esperar 10 anos pra retomar uma discussão.

Me acostume com a sua companhia e depois, de repente, desapareça por um mês. Ou esteja ocupado demais pra mim.

Me interrompa quando eu estiver concentrada em uma coisa importante pra “perguntar uma coisa”. E aí fale beeeeem devagar.

Compare meu volume de trabalho com o seu, ignorando o fato de que você ganha pelo menos 3 vezes mais.

Minta pra mim.

Me mostre uma mancha na minha roupa depois que eu já saí de casa e não tenho mais como trocar.

Ligue errado no meu telefone e, quando perceber que é engano, desligue na cara, sem pedir desculpa.

Espere que eu esteja realmente interessada em saber como anda sua gravidez/seu casamento. Nada pessoal, é que esses assuntos não me interessam mesmo.

Update 20/10:
Me chame de "bem".

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Will work for good karma

Ontem, depois de ter trabalhado até a 1h30 da manhã - o que justifica totalmente o fato de eu ter chegado ao trabalho quase meio-dia, cheguei em casa moída e programei meu despertador pras 8h30, meia hora mais tarde do que eu normalmente acordo.
Eis que às 7h45 toca o interfone. “Moça, sabe o que é? É que chegou um caminhão de mudança lá do Maranhão, do pessoal novo que vai morar no 61, e ele precisava encostar ali onde seu carro está parado”.
Alguma coisa ta muito errada no mundo, né?! Porque eu estava parada na rua, onde a regra é clara: quem chega primeiro, pega a vaga. Agora, só porque eles sabiam de quem era o carro, vieram me pedir pra tirar. Se não fosse meu eles teriam que se virar pra parar o caminhão em outro lugar, não iam? Então por que eles se sentem no direito de me acordar?
O que me leva a outro ponto: se eu fizesse barulho no condomínio antes das 8 da manhã, era reclamação, bronca, multa. Mas eles tocarem meu interfone pode? E eu não posso fazer nada sob o risco de virar a antipática do prédio?
Bom, como eu não ia mais conseguir dormir até as 8h30 mesmo, levantei, vesti uma camiseta (sem sutiã, pra alegria do pessoal da mudança que estava lá embaixo me esperando tirar o carro pra poder encostar o caminhão) e fui lá trocar o carro de vaga.
Só espero que o universo tenha marcado mais esse ponto positivo na minha cadernetinha. Porque eu pretendo usá-lo em breve pra falar mal de uma colega de trabalho.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Desafio Activia

A Danone lançou o "Desafio Activia", e agora a promoção "15+15". É só você ir juntando as tampinhas do iogurte pra depois pegar seu dinheiro de volta ou trocar por um Marinex (o que, diga-se de passagem, não tem nada a ver com o posicionamento da marca, mas isso é outra história pra outra hora).
Eu, de tempos em tempos, acabo precisando de uns lactobacilos vivos, sabe como é, né? Pras coisas funcionarem direitinho. E lá, na gôndola do supermercado, pensei: por quê não? Vou testar essa promoção. Comprei uma bandeja com 6 Activias.
Fui ontem abrir o primeiro, com todo cuidado, e... rasguei a tampinha em 3 ou 4 partes. Droga! Hoje cedo fui abrir a segunda e... rasguei de novo!
Moral da história: neste exato momento deve ter alguém no departamento de marketing da Danone comemorando os resultados positivos da campanha, e espalhando por aí que ninguém pediu o dinheiro de volta, olha como nosso produto funciona!
Enquanto isso, eu daqui estou jurando pra mim mesma que Activia eu não compro mais, vou procurar meus lactobacilos em outro lugar.

Update: só porque eu reclamei, ontem a noite eu consegui abrir um inteirinho, sem rasgar.

sábado, 11 de outubro de 2008

Bora?

Durante algum tempo eu quis ter um blog. Algumas vezes eu até pensei em começar um. Na maioria delas desisti porque achava que minha vida não era interessante pra ninguém além de mim. E provavelmente não é mesmo.
Mas aí apareceu o Twitter e eu percebi que às vezes é bom escrever, mesmo que ninguém mais leia. Escrever só pra você, pra registrar o que você estava pensando em um determinado momento, coisas que na hora são importantes, mas que depois se perdem. E também pra dar a chance pra outras pessoas espiarem dentro da sua cabeça um pouquinho, verem o que estava passando por ela, coisas que você pensa que ninguém ia querer saber, que você nunca teria coragem de contar, mas que fazem uma bela diferença entre você se mostrar como você acha que as pessoas querem te ver ou deixar que elas te conheçam como você realmente é. Mas pra isso, precisa de mais de 140 caracteres.
E é aí que entra esse blog. Pra ser uma extensão do meu Twitter. Pra eu ter onde escrever quando precisar me estender mais sobre um assunto. Pra colocar mais opinião, em vez de só relatar um fato.
Ainda não tenho nenhum formato pensado pra ele. Não sei sobre o que ou sobre quem escrever, não sei que tipo de histórias contar, não sei se vai ser engraçado, comovente, profundo, reflexivo. Mas vai ser meu, e vai ser verdadeiro, isso eu sei. Não sei se vou contar pras pessoas sobre ele ou se vou deixar que elas eventualmente cheguem aqui sozinhas. Não sei até que ponto vou expor minha vida ou a de outras pessoas. Não sei até onde ele vai. Vou descobrindo no caminho.
Vem comigo?