segunda-feira, 27 de outubro de 2008

25/10

Hoje é aniversário de morte do meu avô. Eu nunca fui muito próxima dele nem tenho grandes histórias pra contar sobre como ele fez minha infância mais feliz, mais divertida. Na verdade, a maior lembrança que eu tenho é de um homem severo, lendo jornal em uma cadeira que era só dele e que quando a gente sentava levava bronca, ou colocando a gente de castigo por alguma besteira de criança. Mesmo assim, eu nunca esqueço dessa data.
Foi a primeira vez que alguém próximo de mim morreu, e eu não sabia como devia reagir. Fui pra escola e os coleguinhas e as professoras, que já sabiam – a cidade é pequena e meu avô era um médico conhecido, o primeiro pediatra do lugar – ficavam cheios de dedos, sem saber como me tratar, sem saber se eu já sabia, me tratando como se eu fosse uma bomba-relógio, que a qualquer gesto ou palavra errada podia começar uma crise de choro. Só que eu não chorei.
Não chorei no dia, não chorei depois, não chorei até hoje. Nem por ele, nem por nenhuma das outras pessoas que passaram pela minha vida e já morreram.
Não, eu não sou forte ou insensível. Pelo contrário: sou bem chorona. Choro por coisas que não tem nenhum valor, nenhuma importância, nenhum impacto real na minha vida ou no meu futuro. Aliás, choro sem nem saber por quê. Só não choro pelas coisas que realmente importam. Vai entender, né?

Texto escrito, mas não postado, no dia 25/10.

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